Bebê

Mar 13

Como eu reagi

Hoje vou abordar um assunto que foge de viagem, mas como mexe com saúde acaba sendo, também, um pouco ligado, afinal temos que estar saudáveis para viajar, certo??
Há um certo tempo eu descobri por um episódio familiar, o enfarto do meu pai por trombo, que eu talvez portasse o gene que provoca a formação de um tipo de trombose. Acabei investigando e foi batata, isso mesmo! Eu tinha o tal gene.
Apesar de nunca ter tido nenhuma trombose nem nada, os exames genéticos apontaram essa predisposição e comecei um tratamento preventivo bem simples, um remédio diário acompanhado pelo uso de injeções de anticoagulantes em viagens mais longas de avião, além de usar meias elásticas e andar durante o voo.
Claro que o ritmo no qual eu levava minha vida me ajudou muito a não ter tido nenhum trombo, sempre fui muito ativa, alimentação saudável, apesar das muitas guloseimas, eu sempre comi bastante verduras e legumes, o peso controlado e tudo que ajuda numa vida normal. Isso foi extremamente importante para que não houvesse nada mais grave, já que havia viajado bastante de avião e tomado anticoncepcionais, que também aumentam os riscos desse tipo de doença.
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Um ano e meio depois da descoberta do tal gene, veio a descoberta da gravidez! Eita, agora sim os cuidados ficariam redobrados, com os hormônios a flor da pele e borbulhando por conta da gravidez, os riscos da trombose aumentam e muito, então a injeçãozinha que era só durante voos longos, acabaram por se tornar diárias. Muitos não sabem, mas minha gravidez foi considerada de risco justamente por isso, mas com bom acompanhamento e regulado acaba sendo tranquilo, e foi assim que passei a gravidez, tomando as injeções, indo à hematologista com tanta frequência quanto ao obstetra e tudo ocorreu perfeitamente bem, não desenvolvi a tão famosa eclâmpsia, nem a diabetes gestacional, e olha que comi direitinho, mas sempre fiz questão de me manter ativa também e aproveitar ao máximo a gravidez! E agora taí o Emmanuel para mostrar que funcionou muito bem!
Tá, mas porque você está contando isso no blog de viagens?
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Vamos lá, quando soube da “doença” me desesperei, até pelas viagens! Várias dúvidas vieram na minha cabeça e não achei muitas respostas, como por exemplo:

– Será que posso entrar nos países com uma injeção na bolsa??
Sim, nunca tive problema nenhum com isso, mas sempre ando com a receita junto comigo

– Será que vou saber aplicar a injeção ou vou ter que pedir alguém especial para ajudar??
Eu sempre apliquei no banheiro do embarque do aeroporto, super simples, não é necessário ajuda de ninguém, só lembrar de levar lenços, álcool para assepsia e a injeção, claro rsrs

– Vou precisar levar a injeção no gelo? Como faço para guardar?
Não precisa guardar no gelo, só deixar na bolsa e ser feliz, nunca tive problemas com transporte, ela é muito fácil de aplicar e manusear.

– Engravidei e agora?Tenho esse problema, vou parar de viajar?
Não! Só é necessário ter os cuidados que todas as mamães tem! Viagens de avião nos 3 primeiros meses e nos 3 últimos não pode, tudo que facilitava a trombose antes, vai estar redobrado agora, então não custa ter mais cuidados.trombofilia trombose gravidez cris stilben cris pelo 2 mundo (8)

A idéia desse post também veio por um comentário que postei no Facebook falando das vacinas que haviam sobrado e queria doa-las, vi que tem muita mamãe na mesma situação que eu fiquei, cheias de dúvidas e até sem saber de uma informação muito importante que descobri nesse meio tempo, o governo tem a obrigação de oferecer saúde adequada aos seus cidadãos e com um simples madado judicial, por se tratar de um medicamento da alto custo, é possível retirar o medicamento no postos credenciados em sua cidade. Espera que vou explicar tudinho, mas antes vou explicar também como me senti quando veio a gravidez, as dúvidas e o desespero que aumentou a cada segundo, claro que é normal ficamos inseguras, afinal a coisa mais importante das nossas vidas está aqui na nossa barriguinha, queremos o melhor sempre e sempre!
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Vieram as primeiras compras da injeção e de cara vi que não seria nada barato, as primeiras aplicações diárias e junto com elas lagrimas de desespero, porque ardia bastante!
Dica: Não se esqueçam de tirar o ar que vem nas seringas.
Vieram também as indagações de porque merecia isso ou o que teria feito, coisas que sempre passam na cabeça quando não entendemos bem o que está acontecendo, mas ao mesmo tempo veio o apoio, amor e carinho das pessoas mais importantes.
No primeiro mês já tinha gasto mais de mil e duzentos reais só em vacina e o desespero começou a ficar insuportável, já que várias outras despesas vinham junto, até que com auxilio da Defensoria Pública do Rio de Janeiro e o apoio jurídico do meu sogro, eu descobri que poderia pegar as benditas injeções pelo governo e vou compartilhar com vocês como fiz.
Primeiro fui orientada a comparecer na Câmara de Resolução de Litígios da Saúde, aqui no Rio de Janeiro, fica na Rua da Assembleia nº77-A, Centro, o horário de atendimento é de 10:00 às 15:00 de segunda a sexta feira, porém sugiro que chegue cedo, levando comprovante de residência, carteira de identidade, CPF, comprovante de renda (é importante justificar renda incompatível com o custo do medicamento), laudo com a descrição e receita médica, confesso que fiquei boba com atendimento e foi super rápido!
Fiz isso e em alguns dias já havia saído a liminar, com uma ressalva que teria uma audiência para averiguar tudo, porém em menos de 15 dias já estava pegando as vacinas na Rua México nº 128 térreo, posto responsável por entregar medicamentos excepcionais no Rio de Janeiro (verifique a unidade de sua cidade ou região) e então a felicidade tomou conta de mim!
A única coisa “chata” era ir todo mês pegar a medicação, mas isso tirei de letra e fiz com o sorriso de orelha a orelha. A audiência que havia sido marcada para que o Estado pudesse recorrer nem aconteceu, já que realmente era uma medicação essencial, e sem ela havia risco para mãe e para o bebê.
Ao longo da gravidez a dosagem aumentou, mas também não foi necessário entrar com outro processo, só o pedido médico renovado de 3 em 3 meses já é o suficiente para o cumprimento do solicitado na receita. No meu caso, como não havia disponibilidade do medicamento na dosagem solicitada, eles davam duas injeções e eu acabei tendo que aplicar duas injeções diárias perto do final da gravidez. Eu estava tão feliz que tudo havia dado tão certo que já não sentia mais tanta dor, as injeções chatas já tinham virado rotina na minha vida e o mais importante, tudo ocorreu extremamente bem! Tirando o fato de tomar a vacina, eu não poderia ter tido uma gravidez melhor, não deixei de fazer absolutamente nada, claro só evitei andar de avião, mas isso não foi problema, já que tenho a vida toda para voar por aí, mudei as viagens para coisas que pudesse fazer por terra.
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Sou tão agradecida por tudo ter dado certo, que quis compartilhar com vocês como dar certo para alguém que esteja passando pela mesma coisa que passei, que tenha as mesmas dúvidas e medos, e deixar claro que é uma fase que passa rápido, apesar de não parecer e vale cada picadinha!
Agora é aproveitar e mostrar ao Bebê pelo Mundo esse mundão maravilhoso que o espera.

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Cristina Stilben

Quero conhecer o máximo que o Mundo tem a oferecer e agora tenho mais um motivo para sair viajando por aí! Afinal, agora que virei mãe, preciso apresentar o Mundo ao meu pimpolho! Amo poder inspirar pessoas a viajar, principalmente famílias.

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